Uma ideia pode parecer atrativa internamente e, no entanto, não despertar o mesmo interesse no mercado. Antes de avançar para formulações, protótipos ou investimentos mais dispendiosos, um concept test permite testar a proposta junto do público-alvo e perceber se é relevante, compreensível e suficientemente diferenciada para prosseguir com o seu desenvolvimento.
O que podemos validar antes de ter o produto?
Um conceito de produto traduz uma ideia inicial numa proposta que o consumidor possa avaliar. Pode incluir informações sobre o que é o produto, a quem se destina, que necessidade pretende satisfazer, qual é o seu principal benefício ou que características o diferenciam das opções disponíveis.
O concept test permite apresentar essa proposta ao consumidor antes de dispor necessariamente do produto final. Desta forma, é possível avaliar se é compreendida corretamente, se responde a uma necessidade relevante e que interesse desperta.
A investigação de mercados aplicada à inovação permite trabalhar precisamente nestas fases iniciais, utilizando a informação do consumidor para comparar conceitos e orientar o desenvolvimento para aqueles com maior potencial.
Compreensão, relevância e diferenciação
O facto de uma ideia ser inovadora para a empresa não significa necessariamente que o consumidor percecione o seu valor. Por isso, um concept test pode analisar diferentes dimensões da proposta.
Uma das primeiras questões é a compreensão: se o consumidor compreende que produto lhe está a ser proposto e qual é a sua utilidade. Também interessa conhecer a relevância, ou seja, se o benefício apresentado responde a algo que realmente considera importante.
Outro aspeto é a diferenciação. Uma proposta pode ser atrativa, mas perder força se o consumidor considerar que já existem produtos que oferecem algo semelhante. Conhecer como o conceito é interpretado face a outras opções do mercado ajuda a identificar quais os elementos que convém reforçar ou comunicar de outra forma.
Também podem ser explorados aspetos como o interesse, a intenção de compra, as expectativas que o produto gera ou as possíveis barreiras à proposta.
Que consumidor devemos consultar?
A avaliação de um conceito depende em grande medida de quem o avalia. Uma proposta pode ser muito relevante para um determinado perfil e gerar pouco interesse noutro.
Definir corretamente o público-alvo permite interpretar os resultados em função dos hábitos, necessidades, atitudes ou comportamentos relacionados com a categoria. Não se trata apenas de determinar se uma ideia “agrada”, mas de perceber para quem tem maior potencial e porquê.
Esta informação também pode ajudar a ajustar o posicionamento. Se diferentes perfis valorizam benefícios distintos, a investigação pode orientar tanto as características que vale a pena desenvolver como a forma de apresentar o produto.
Integrar o consumidor no processo de inovação de produto permite precisamente tomar decisões à medida que a ideia evolui desde o conceito até ao produto final.
Comparar conceitos antes de avançar
Quando existem várias ideias possíveis, o concept test permite compará-las e priorizar aquelas que apresentam melhores resultados.
Os dados podem ajudar a identificar qual a proposta que desperta maior interesse, mas também a compreender os seus pontos fortes e fracos. Em algumas situações, a decisão não será escolher um conceito exatamente como foi apresentado, mas sim combinar aprendizagens de diferentes alternativas ou modificar determinados aspetos antes de continuar.
Por isso, o valor do estudo não está apenas em obter uma avaliação, mas em gerar informação que permita melhorar a proposta antes de dedicar mais recursos ao seu desenvolvimento.
Validar o conceito não substitui a validação do produto
Um conceito pode gerar interesse e, no entanto, o produto desenvolvido posteriormente deve corresponder às expectativas que essa proposta criou.
O concept test é utilizado numa fase inicial para avaliar a ideia e a sua proposta de valor. Quando já existem protótipos, entram em jogo outras metodologias que permitem estudar como o consumidor reage ao produto real.
Ambas as etapas fornecem informações diferentes. Primeiro, podemos verificar se vale a pena avançar com a ideia e que aspetos devem orientar o desenvolvimento; posteriormente, será necessário validar questões relacionadas com a experiência real do produto, a sua aceitação e a sua capacidade de cumprir a promessa apresentada.
Esta sequência permite incorporar a voz do consumidor antes de realizar investimentos maiores e continuar a utilizá-la à medida que o projeto avança.
Como a AINIA te pode ajudar
Na AINIA, ajudamos as empresas a avaliar conceitos de novos produtos na perspetiva do consumidor antes de avançar para fases posteriores de desenvolvimento.
Através do nosso serviço de Investigação de Mercados para a Inovação, concebemos estudos adaptados a cada projeto para analisar a compreensão, relevância, diferenciação, interesse e potencial de diferentes propostas, bem como identificar possíveis barreiras e perfis de consumidores.