Inovações no domínio do controlo de resíduos de substâncias de origem veterinária

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Roberto Ortuño

17 Mar 2021

Podemos melhorar o controlo analítico dos resíduos de substâncias de uso veterinário em carnes e outros produtos de origem animal? Neste artigo, revemos os mais recentes avanços neste domínio e como, graças a técnicas de screening e multiparamétricas, podemos minimizar o risco inerente ao aparecimento deste tipo de substâncias em carnes e outros produtos de origem animal sem que isso implique um custo acrescido no nosso plano de autocontrolo.

O controlo de resíduos de substâncias de uso veterinário em produtos de origem animal

Os resíduos de medicamentos veterinários são todas as substâncias farmacologicamente ativas que permanecem nos produtos alimentares obtidos de animais aos quais esses medicamentos foram administrados diretamente ou através da sua alimentação. A administração destas substâncias, quando utilizadas sem respeitar os princípios de boas práticas, é suscetível de deixar resíduos nos alimentos.

O controlo analítico é uma ferramenta de grande utilidade na prevenção dos diferentes resíduos e contaminantes nos alimentos. Como em quase todos os casos, no caso dos resíduos de substâncias de uso veterinário em carnes, para além de assegurarmos a manutenção de boas práticas veterinárias na criação do gado, as análises devem fazer parte dos sistemas de autocontrolo das indústrias cárneas e, de forma especial, das instalações de abate das diferentes espécies.

Como em qualquer plano de controlo, uma vez avaliados os riscos, é necessário realizar uma avaliação custo-benefício e desenhar planos que cubram as substâncias ativas necessárias, com uma pressão de amostragem adequada e economicamente viável.

Neste sentido, o avanço das técnicas analíticas e, em particular, o desenvolvimento dos métodos cromatográficos está a permitir encontrar soluções cada vez mais eficientes para abordar esta problemática.

Técnicas cromatográficas multirresíduo e serviço de screening

A AINIA selecionou as técnicas cromatográficas (LC-MS/MS) como técnicas de eleição neste domínio.

Apresentam muitas vantagens, tanto face às técnicas microbiológicas clássicas como às baseadas em reação imunológica (ELISA). As mais relevantes são:

  1. O aparecimento de falsos positivos é muito remoto, especialmente se o compararmos com o que acontece com as outras duas tecnologias, nas quais este fenómeno é significativamente mais frequente.
  2. As técnicas cromatográficas constituem métodos de confirmação para esta utilização. Nos outros casos, os resultados positivos requerem confirmação por técnicas cromatográficas.

No sentido de alargar o número de substâncias ativas analisadas numa única análise, desenvolvemos dois métodos cromatográficos multirresíduo que permitem analisar simultaneamente um amplo número de substâncias ativas da amostra (incluindo metabolitos) de forma mais económica do que os métodos tradicionais com menor espectro de aplicação, e com grande seletividade e sensibilidade.

Concretamente, no caso de antibióticos e anti-helmínticos, o nosso multirresíduo cobre 71 substâncias diferentes, determinadas numa única análise das famílias:

  1. sulfonamidas
  2. trimetoprim
  3. tetraciclinas
  4. quinolonas
  5. penicilinas
  6. macrólidos
  7. lincosamidas
  8. anfenicóis
  9. cefalosporinas
  10. anti-helmínticos

E, no caso das hormonas, um total de 27 substâncias das quatro famílias:

  1. estilbenos
  2. esteroides
  3. lactonas do ácido resorcílico
  4. corticoides

Avançando também em serviços que permitam minimizar o risco de segurança alimentar ao melhor custo possível, implementámos um método de screening ou varrimento multiparamétrico. Com este método, podemos melhorar os custos e os prazos de entrega dos serviços multiparamétricos. Em caso de resultado positivo, é necessária a quantificação dos resultados para poder verificar o cumprimento legislativo, o que costuma ocorrer num baixo número de casos, pelo que o custo do plano de controlo pode ser otimizado.

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Responsable de Seguridad y Calidad Alimentaria

Responsable de Seguridad y Calidad Alimentaria en AINIA Centro Tecnológico. Ingeniero Agrónomo. Vicepresidente de la Sociedad Española de Seguridad y Calidad Alimentarias.

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