PFAS nos alimentos: limites, exposição e controlo analítico

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17 Sep 2026

A persistência das substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS) favorece a sua dispersão no meio ambiente e a sua incorporação na cadeia alimentar. Para as empresas, o desafio consiste em identificar os alimentos afetados, interpretar os resultados e estabelecer controlos proporcionais ao risco.

Em que alimentos podem estar presentes os PFAS

Os PFAS podem chegar aos alimentos através da água e dos solos contaminados, das culturas e dos alimentos para animais. Também podem acumular-se em peixes, crustáceos, moluscos e outros organismos, pelo que a sua concentração varia consoante o ambiente e a espécie.

A Recomendação (UE) 2026/1307 prevê a monitorização de PFAS nos alimentos para animais durante 2026, 2027 e 2028 e, perante concentrações elevadas, contempla a investigação da sua origem através da análise do solo e da água consumida pelos animais.

A regulamentação europeia presta especial atenção à carne, às miudezas, ao peixe, aos crustáceos, aos moluscos bivalves e aos ovos. A proveniência das matérias-primas, a água utilizada e a informação dos fornecedores são fatores relevantes para avaliar a sua presença na cadeia alimentar.

Limites de PFAS aplicáveis aos alimentos

No âmbito da regulamentação europeia sobre PFAS, o Regulamento (UE) 2023/915 estabelece teores máximos para PFOS, PFOA, PFNA e PFHxS, tanto individualmente como para a soma dos quatro. Os valores são expressos em peso fresco e variam consoante o alimento.

Categoria de alimento Limite máximo para a soma dos quatro PFAS
Carne de bovino, suíno e aves de capoeira 1,3 µg/kg
Carne de ovino 1,6 µg/kg
Miudezas de bovinos, ovinos, suínos e aves de capoeira 8,0 µg/kg
Carne de caça, exceto urso 9,0 µg/kg
Miudezas de caça, exceto urso 50 µg/kg
Peixe 2,0, 8,0 ou 45 µg/kg, consoante a espécie e a sua utilização
Crustáceos e moluscos bivalves 5,0 µg/kg
Ovos 1,7 µg/kg

Estes valores não substituem os limites individuais. Para calcular a soma aplica-se o critério de concentração inferior, considerando como zero os resultados abaixo do limite de quantificação. Se um alimento ultrapassar um teor máximo, não pode ser comercializado nem utilizado como ingrediente.

A Recomendação (UE) 2022/1431 impulsionou, entre 2022 e 2025, a monitorização de PFAS numa ampla variedade de alimentos e estabeleceu níveis indicativos para frutas, produtos hortícolas, raízes e tubérculos amiláceos, cogumelos silvestres, leite e alimentos infantis. A ultrapassagem destes níveis não implica automaticamente um incumprimento, mas devem ser investigadas as causas da contaminação.

Exposição a PFAS através da alimentação

A exposição depende da concentração presente, da quantidade ingerida e da frequência de consumo. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) identifica o peixe e os ovos entre os alimentos que mais contribuem para a exposição aos quatro PFAS avaliados, embora a sua contribuição varie consoante o composto e os hábitos alimentares.

A EFSA estabeleceu uma ingestão semanal tolerável conjunta de 4,4 nanogramas por quilograma de peso corporal para PFOS, PFOA, PFNA e PFHxS, tomando como efeito crítico a diminuição da resposta de anticorpos após a vacinação.

O teor máximo determina se um alimento regulamentado cumpre os requisitos para a sua comercialização, enquanto a ingestão tolerável permite avaliar a exposição acumulada através da dieta. Por isso, detetar PFAS não é suficiente para determinar o risco: o resultado deve ser interpretado de acordo com o composto, a concentração e o padrão de consumo.

Como realizar o controlo analítico de PFAS nos alimentos

O controlo deve partir de uma avaliação do risco para priorizar produtos, matérias-primas, origens e fornecedores. A partir desta avaliação, define-se que PFAS analisar, em que matrizes e com que frequência, tendo em conta os limites legais e os antecedentes disponíveis.

O Regulamento de Execução (UE) 2022/1428 exige amostras representativas e materiais de colheita, armazenamento e transporte isentos de PFAS. Deve evitar-se o contacto com PTFE, PVDF e outros fluoropolímeros que possam contaminar a amostra. Os métodos analíticos devem dispor de limites de quantificação iguais ou inferiores aos aos teores máximos individuais aplicáveis.

Os resultados devem ser interpretados juntamente com a rastreabilidade e a informação dos fornecedores. Perante uma ultrapassagem, será necessário delimitar os lotes afetados, investigar a fonte e rever as medidas de prevenção e controlo.

Como a AINIA pode ajudar

Na AINIA ajudamos as empresas a definir controlos de PFAS adaptados aos seus alimentos, matérias-primas, fornecedores e mercados. O nosso serviço de conceção e execução de planos de controlo analítico permite selecionar as matrizes e os parâmetros relevantes, estabelecer a amostragem, interpretar os resultados e avaliar a conformidade regulamentar.

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