Lidia Tomás / 2 de Fevereiro de 2026

Redução da experimentação animal: 6 alavancas-chave para acelerar a validação cosmética

Nesta página:
O setor cosmético está na linha da frente na aplicação do princípio dos 3R (Replacement, Reduction, Refinement), com um compromisso claro com a redução da experimentação animal e a sua substituição por metodologias alternativas. Esta evolução é ainda reforçada por uma visão cada vez mais holística do cuidado pessoal, em que as abordagens tópicas coexistem com estratégias complementares de nutricosmética ou beauty from within, alargando o enquadramento de avaliação da segurança e eficácia dos ativos cosméticos. Nas secções seguintes, apresentam-se 6 alavancas-chave que permitem acelerar a validação cosmética, apoiando-se em estratégias orientadas para reduzir a experimentação animal, mantendo a robustez científica e regulamentar.

1. Abordagens weight-of-evidence

A abordagem weight-of-evidence permite construir dossiers científicos robustos sem recorrer à experimentação animal.
  • Combinação de dados complementares: integração de resultados de ensaios in vitro, abordagens in chemico e modelos computacionais.
  • Modelos preditivos in silico: utilização de QSAR, algoritmos de machine learning e simulações para antecipar toxicidade, absorção e metabolismo. Apesar do elevado potencial, estas abordagens continuam em processo de validação.
  • Documentação estruturada: elaboração de relatórios coerentes que facilitem a avaliação por entidades regulamentares como o SCCS.

2. Digitalização e automatização dos ensaios

A digitalização é um acelerador relevante em programas focados na redução da experimentação animal.
  • High-throughput screening: plataformas automatizadas que permitem avaliar múltiplas formulações em paralelo, reduzindo tempo e erro experimental.
  • Gestão avançada de dados: implementação de sistemas LIMS (Laboratory Information Management Systems) para garantir rastreabilidade, integridade e exploração eficiente dos dados.
  • Inteligência artificial aplicada à análise: uso de algoritmos para identificar padrões em grandes volumes de dados e otimizar a tomada de decisão em I&D.

3. Monitorização ativa do mercado e consumer insights

A validação cosmética não se limita ao laboratório; deve alinhar-se com as expectativas do mercado.
  • Mapeamento de tendências emergentes: análise de relatórios setoriais, literatura científica, patentes, retalho e sinais digitais para antecipar tendências como skinification, longevidade, microbioma, clean beauty, sensorialidade ou sustentabilidade.
  • Tradução em requisitos de produto: transformação destes sinais em insights acionáveis que orientem o desenho de protótipos, o plano de validação e a estratégia de comunicação.

4. Estudos com consumidores

Os estudos com consumidores reforçam a validação técnica do ponto de vista da aceitação e do uso em contexto real.
  • Testes sensoriais e estudos hedónicos: avaliação da aceitação, preferências, adequação ao conceito, impacto emocional e intenção de compra.
  • Tradução da perceção em decisões de design: integração de resultados sensoriais e emocionais em requisitos claros para formulação, embalagem e comunicação.
  • Execução ágil em contexto real (CLT & HUT): testes de produto e consumidores que permitem categorizar, validar e selecionar formulações com feedback rápido e fiável.
  • Validação de claims sensoriais: desenho de estudos específicos para sustentar mensagens na embalagem e na comunicação, reforçando a credibilidade do produto.

5. Modelos celulares avançados aplicados à redução da experimentação animal

Nos últimos anos, a comunidade científica consolidou metodologias que substituem total ou parcialmente os ensaios cosméticos tradicionais. Estas abordagens assentam em modelos celulares humanos e integram dados in vitro, in chemico e computacionais para gerar avaliações mais preditivas. Na AINIA, estas metodologias aplicam-se tanto à cosmética tópica como à nutricosmética, permitindo avaliar bioacessibilidade, biodisponibilidade e eficácia de compostos bioativos através de modelos in vitro avançados, contribuindo para reduzir a experimentação animal. Se pretende uma abordagem passo a passo e uma checklist prática, descarregue aqui o nosso guia de validação em nutricosmética.

Modelos de pele reconstruída 3D

O que é Tecidos cutâneos in vitro estratificados (epiderme ou epiderme + derme com fibroblastos). Para que serve
  • Segurança: irritação, corrosão, permeação e absorção.
  • Eficácia: restauração da barreira, hidratação, ação anti-idade, despigmentação e efeito anti-inflamatório.
Parâmetros a avaliar
  • Função barreira: TEER, TEWL simulada, taxa de permeação.
  • Biomarcadores de inflamação: IL-1α, IL-6, IL-8.
  • Marcadores de colagénio: MMP-1, MMP-3, TGF-β, colagénio I/III.
  • Proteínas da barreira: filagrina, involucrina.
Quando escolher Quando a interação com a barreira cutânea é crítica e é necessária elevada relevância fisiológica face a modelos 2D.

Bioimpressão 3D

O que é Fabrico aditivo de constructos dérmico-epidérmicos usando bio-tintas (queratinócitos, fibroblastos ± melanócitos) e matrizes como colagénio ou GelMA. Para que serve
  • Desenho de arquiteturas personalizadas.
  • Estudo de microestrutura, cicatrização e pigmentação.
  • Libertação direcionada de ativos.
  • Compatibilidade com carriers nano ou microencapsulados.
Leituras típicas Morfometria 3D, viabilidade celular, marcadores de matriz extracelular (colagénio, elastina), melanogénese (MITF, TYRP1) e imagem confocal de penetração. Quando escolher Quando são necessárias geometrias, gradientes ou composição tecidular personalizada para hipóteses experimentais específicas.

Bioimpressão celular 3D

Conclusão: rumo a uma validação cosmética mais rápida, mais ética e mais preditiva

As abordagens orientadas para a redução da experimentação animal constituem hoje uma base sólida para a conformidade regulamentar e representam uma mudança estrutural para modelos de avaliação mais éticos, sustentáveis e cientificamente robustos. Do ponto de vista estratégico, abrem também a porta a tecnologias avançadas como a bioimpressão 3D, capazes de reproduzir a complexidade funcional da pele humana e avaliar parâmetros-chave como hidratação, regeneração, síntese de colagénio ou modulação da pigmentação.

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Lidia Tomás
Soy Lidia Tomás, responsable del equipo de Estudios Preclínicos con modelos in vitro en AINIA, donde trabajo desde 2005 liderando proyectos de investigación orientados a la evaluación de ingredientes funcionales, nutracéuticos y cosméticos. Mi especialidad se centra en el desarrollo de modelos avanzados que simulan el tracto gastrointestinal y la fermentación colónica, así como órganos diana mediante técnicas como cultivo celular, bioimpresión 3D y órganos-on-chip. Doctora en Bioquímica y Biología Molecular por la Universitat de València, combino una sólida formación científica con experiencia en gestión y transferencia tecnológica. Colaboro con empresas de los sectores alimentario, cosmético y nutracéutico para impulsar soluciones innovadoras basadas en evidencia científica. He participado en proyectos nacionales e internacionales como PHARMANOVA, MEAT4FUTURE y PATHWAY-27, y soy miembro activo de redes como INFOGEST, INFOGUT y Food4Life. Además, imparto formación especializada en congresos y jornadas sectoriales, contribuyendo a la divulgación científica y al avance de la investigación aplicada.

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